quinta-feira, 18 de junho de 2020

As primeiras revoltas populares

No início de Maio de 1808, a situação vai alterar-se por completo. Em Espanha, ao ser deposta a Casa Real, eclodem imediatamente as revoltas populares por todo o país. Chegara o momento de agir, também em Portugal. 

Em 9 de Maio, o príncipe regente, dom João, desde a capital portuguesa no Brasil, declara formalmente a guerra contra os Franceses.
Estava dada a ordem para a revolta portuguesa. Em 6 de Junho, a primeira revolta eclode no Porto 

Nesse dia, o general Bellesta prendera o general  governador do Porto em nome de Junot, bem como todos franceses que conseguiu apanhar. Com o incentivo do próprio general Bellesta, o príncipe regente de Portugal foi imediatamente aclamado e hasteou-se a bandeira nacional. 

Com a partida de Bellesta para Espanha, os franceses, com o auxílio do "partido francês" da cidade, ainda conseguem controlar a situação. A notícia desta primeira revolta, embora sem sucesso, correu célere até Trás os Montes, onde, sob o comando do tenente-coronel  Sepulveda, antigo governador de armas daquela Província, rapidamente eclode e vence em ChavesMiranda do DouroTorre de MoncorvoRuivães e Vila Real

São rapidamente organizados alguns regimentos de milicianos, consolidadas a posições patrióticas em Bragança e noutras localidades, o movimento foi seguído por Viana do CasteloGuimarãesCaminha, retornando ao Porto, onde a população se amotinou no dia 18 de Junho contra os franceses.

 O capitão João Manuel de Mariz vai dirigir o primeiro impulso levando-o à vitória, sendo nomeada uma Junta Provisional do Supremo Governo do Reino, chefiada pelo bispo do Porto, D. António José de Castro.
Alarmado com a dimensão da revolta popular, Junot ordenou a Loison o famoso maneta que se dirigisse ao Porto para restabelecer o domínio francês. Loison saiu de Almeida em 17 de Junho, passando por LamegoRégua e Mesão Frio

Ao aproximar-se de Padrões de Teixeira, as tropas de Loison , encontraram forte resistência organizada pelo então tenente-coronel Silveira. 

Os portugueses praticavam uma perturbadora modalidade de guerra, a que os soldados franceses não estavam habituados: a guerrilha. Ao fim de três dias de combates foi forçado a retirar para Lamego e, sempre sob perseguição de camponeses armados, retrocedeu para Viseu, depois para Celorico, reentrando finalmente em Almeida, em 1 de Julho, onde encontrou refúgio na fortaleza.
As revoltas populares vingavam entretanto em LamegoViseuCastelo BrancoCoimbraPombalFigueira da Foz. Em poucos dias, todo o MinhoTrás-os-MontesBeira Alta e Beira Baixa retornavam às mãos de patriotas portugueses. Em 16 de Junho, as insurreições populares atingiam o Algarve, com a revolta de Olhão na dianteira. Em 19 de Junho, Vila Viçosa proclamou a revolta no coração do Alentejo. Seguiu-se Beja, em 24 de Junho; e Marvão em 26.
Com a insurreição popular a adquirir carácter nacional, os franceses passaram a fazer toda a espécie de pilhagens e profanações. A violência e a crueldade das forças franceses atingiram os extremos, em especial no Alentejo, calculando-se que possam ter sido assassinadas cerca de mil e duzentas pessoas na cidade de Beja
Por todo o lado, seguindo o exemplo do Porto, constituíram-se juntas governativas, reconhecendo a prioridade e a autoridade nacional à Junta do Porto como Junta Suprema do Reino. Sob a presidência do general Bernardim Freire de Andrade, foi constituída uma comissão militar e lançados impostos para fazer face às despesas de guerra. Uma comissão da Junta do Porto deslocou-se a Londres para obter auxílio militar.
Em 2 de Julho, Junot, vendo-se impotente para travar as revoltas populares, manda concentrar as suas forças à volta de Lisboa

No Alentejo ficaram ainda as forças francesas comandadas por Auril e Kellerman, até que Évora se libertou em 20 de Julho. 

Quatro dias depois, Loison ainda tentou esmagar a revolta de Évora. Sem qualquer possibilidade de êxito, deixou um rasto de morte e destruição à sua passagem, dirigindo-se para Estremoz e Elvas, onde recebe ordem de Junot para se dirigir a Abrantes

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