quarta-feira, 16 de setembro de 2020

A 4ª invasão francesa

É comum falar-se  em três invasões de Portugal perpetradas pelos exércitos napoleónicos. Todos conhecemos, aliás, os comandantes franceses dessas três invasões: Junot, Soult e Massena. Porém houve uma quarta invasão de Portugal, comandada pelo marechal Marmont, que poucos conhecem e que a história, por regra, omite. 

Alguns autores consideram porém ousado chamar-lhe «invasão», pois tratou-se sobretudo de uma incursão ou sortida do exército francês em território português, ou ainda, usando a linguagem táctico-militar, de uma «manobra de diversão». 

 Marmont substituiu Massena Após a batalha do Sabugal, ocorrida em 3 de Abril de 1811, o exército francês retirou para Espanha. Face ao fracasso da terceira invasão, Massena caiu no desfavor de Napoleão, que lhe retirou o comando do Exército de Portugal, substituindo-o por August Marmont, um marechal de 36 anos que detinha o título de Duque de Ragusa. 

Oriundo de famílias nobres, o jovem marechal não detinha o prestígio de Massena, mas gozava dos favores de Napoleão que o considerava um comandante com elevados méritos. 

A prioridade de Marmont foi reorganizar o Exército de Portugal, que o imperador mantinha com o fim de realizar uma nova expedição em Portugal para expulsar os ingleses da Península, «atirando-os para o mar». 

A expedição deveria contudo aguardar pelo momento oportuno, sendo intenção de Bonaparte vir ele mesmo à Península para a comandar. 

A primeira missão que lhe foi atribuída foi juntar-se ao Exército do Sul, chefiado pelo marechal Soult, tendo em vista salvar a praça de Badajoz, que fora cercada pelo exército anglo-português. 

A simples união dos dois exércitos franceses, que actuaram coordenados na linha do Guadiana, fez desmobilizar Lord Wellington, que levantou o cerco a Badajoz, recuando para Elvas e Campo Maior. 

Os dois marechais franceses (Soult e Marmont) pensaram perseguir o exército anglo-luso e enfrentá-lo, lançando uma nova ofensiva em Portugal, que facilmente chegaria a Lisboa atravessando as planícies do Alentejo. Contudo, não havendo para isso ordens formais de Bonaparte, o movimento não foi executado. A ordem vinda do imperador foi antes a da separação dos dois exércitos, devendo Marmont subir para o vale do Tejo e Soult descer para sul, retomando as posições anteriores. 

 A 3 de Abril de 1812, exactamente um ano após a batalha do Sabugal, os franceses reentram em Portugal, tentando tomar Almeida de assalto, no que foram repelidos pela milícia portuguesa que guarnecia a praça. 

Marmont avançou então para norte, passando por Alfaiates e chegando ao Sabugal, onde a 8 de Abril estabeleceu o seu quartel-general. A partir do Sabugal, onde ficou instalado, o marechal enviou sortidas a Penamacor, Belmonte, Idanha-a-Nova, Covilhã e Fundão, chegando a sua vanguarda a Castelo Branco. 

Créditos : Paulo Leitão Batista ( a capela arraiana

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