Mesmo com excelente recepção, Junot não deixou de tomar providências a 2 de Dezembro, para assumir o controlo do País, colocando gente sua em lugares chave.
O general Delaborde foi designado governador de Lisboa e Hermann um diplomata que já fora cônsul em Lisboa, passou a integrar a Junta como comissário, tomando depois conta do Erário Régio e das finanças, sendo também Lagarde outro oficial francês nomeado para intendente da Polícia.
Ele ficou associado ao controlo, censura e ao “desgoverno” francês. Tanto que, depois da invasão, surgiu até um jornal satírico chamado “O Lagarde Português”, gozando com ele e com a ocupação francesa. Uma fonte resume isso assim: “Lagarde era o prefeito francês da polícia
Por isso, há quem defenda que expressões como “à Lagarde” (ou popularmente “à lagarder”) ficaram com o sentido de:
- em desordem
- ao abandono
- sem regra nem governo
- feito de qualquer maneira
Ou seja: “isto está tudo à Lagarde
Procurando assegurar a ordem pública, foram impostas regras para o recolhimento nocturno da população, fechadas casa de jogo e proibidos ajuntamentos e claro interdito o uso e porte de armas.
Na mesma altura foi publicada uma relacção de pessoas que deveriam contribuir com um "empréstimo" forçado
O que foi esse empréstimo forçado?
Na prática, não era um empréstimo voluntário. Era uma requisição obrigatória de dinheiro e bens:
- Famílias ricas, comerciantes e instituições eram obrigados a “emprestar” quantias fixas ao governo francês.
- O “empréstimo” era imposto sob ameaça direta — quem não pagasse podia sofrer prisão, confisco de bens ou perseguição.
- Muitas vezes o dinheiro nunca era devolvido, ou era apenas parcialmente reembolsado muito depois (ou nem isso).
Em resumo: foi uma forma de “tributo de guerra disfarçado de empréstimo”, que acabou por ser mais um fator a tornar a ocupação francesa insustentável.
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