Massena não queria ser empurrado para a fronteira espanhola. Porque queria “salvar a face” ou porque simplesmente entendia que devia fazer tudo para cumprir as ordens de Napoleão, no dia 22 de Março à tarde, Massena distribuiu novas ordens que contradiziam as que tinham sido distribuídas nos últimos dias.
Era sua intenção seguir para Sudeste, para a linha do Tejo em Espanha, com o objectivo de ocupar posições na região de Coria e Placência, a partir de onde voltaria a ameaçar Portugal numa nova frente. Isto significava marchar em terreno montanhoso, por Belmonte, Penamacor e através da Sierra de Meras para o fracamente povoado planalto do Norte da Estremadura Espanhola.
A verdade é que o exército, cansado, desmoralizado, com os fardamentos e equipamentos arruinados, com falta de munições e quase sem comida, iria dirigir-se para uma das regiões mais despovoadas e desoladas de Espanha, onde não existiam apoios de qualquer espécie e o caminho a seguir era dos mais difíceis.
Reynier e Ney já conheciam aquela região. Os generais de Massena criticavam-no abertamente. Aliás, desde que a retirada tinha sido iniciada, Ney tinha mostrado o desacordo relativo às suas ordens e agora dizia abertamente que a única atitude correcta a tomar era dirigirem-se rapidamente para Espanha e que tentar ocupar posições ao longo do Mondego ou do Alva tinha sido um absurdo.
Mas Massena manteve a sua decisão e enviou ordens para o II CE marchar da Guarda para Sul e os VI e VIII CE para se prepararem para o seguirem. Ainda nesse dia 22, Ney fez chegar a Massena três cartas em que começou por levantar objecções ao planeamento feito até à recusa formal em cumprir aquelas ordens e declarava ainda que iria marchar com o VI CE para Almeida. A autoridade de Massena era, desta forma, posta em causa e, por isso, ele tinha que agir por forma a pôr um fim àquela situação. Massena retirou o comando do VI CE ao Marechal Ney que seguiu para França. O VI CE ficou então sob o comando do General Loison.
Depois destes acontecimentos, Massena retomou a marcha de acordo com os seus novos planos. O IX CE concentrou-se entre Almeida e Ciudad Rodrigo mas os restantes, durante os próximos cinco dias, avançaram para Sudeste, em estradas muito más, em terrenos quase desertos onde os meios de subsistência quase não existiam. Reynier, à semelhança do que Ney fizera, enviou uma carta a Massena a pedir-lhe que desistisse daquele plano. Junot escrevia de Belmonte a dizer que não podia ir mais longe pois as tropas já não tinham força para avançar mais sem alimentos. No dia 29 de Março, Massena distribuiu as ordens que marcam o fim do seu plano e deu início à marcha para Ciudad Rodrigo
Na manhã de 29, dirigiram-se para Pega, perto do Rio Coa. Há oito dias que Massena quase não tinha notícias do exército de Wellington. Este tinha parado junto do Rio Alva, no dia 20, devido à falta de víveres e enviou apenas uma parte das suas forças para continuar a perseguição na estrada de Celorico.
Os franceses acabaram por retirar perseguidos pela cavalaria britânica que fez muitos prisioneiros. Massena só conseguiu ter as suas tropas para lá do Rio Coa no dia 31. As suas tropas estavam exaustas e esfomeadas. Encontravam-se a dois dias de marcha de Ciudad Rodrigo mas Massena permaneceu em Terras de Riba-Coa. O tempo que aí demorou deu oportunidade a Wellington para lançar um novo ataque, desta vez sobre o II CE.
A Batalha do Sabugal, travada no dia 3 de Abril, obrigou Massena a concluir a sua retirada para Ciudad Rodrigo.
No dia 5 de Abril só ficavam em Portugal os elementos da guarnição francesa de Almeida que ali se mantiveram até 10 de Maio de 1811 -
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