sexta-feira, 31 de julho de 2020

A construção da Linha defensiva de Torres Vedras

Em 1807Junot encarregara o coronel de engenharia Vincent de estudar a defesa de Lisboa e, na execução dessa tarefa, esteve presente o major de engenharia Neves Costa, do Exército Português
Após a expulsão das tropas francesas foram feitas diligências pelas autoridades portuguesas no sentido de fazer o levantamento topográfico que servisse de base aos trabalhos da defesa de Lisboa. Nesta comissão esteve novamente o major Neves e Costa Estes trabalhos, ainda muito incompletos, foram consultados por Wellington
Após a Batalha de Talavera, Wellington examinou com o coronel Fletcher os documentos que já existiam sobre a defesa de Lisboa e percorreu as principais posições que eram indicadas para a sua defesa. 
Após este reconhecimento escolheu a linha principal de defesa, como sendo a que passa por Forte da Casa (do lado do Tejo), Serra de ServesCabeço de MontachiqueMafra e foz do rio Safarujo (do lado do oceano Atlântico). 
Ficava assim definida uma linha de defesa com cerca de 40 quilómetros. Além desta linha foram organizadas posições à volta da Fortaleza de São Julião da Barra, com o objectivo de, guarnecidas por tropas portuguesas, protegerem o embarque das tropas britânicas no caso de não conseguirem deter as tropas francesas. Esta linha tinha cerca de 2.700 metros de comprimento.
Em primeiro lugar, iniciaram-se as obras que deviam proteger o embarque das tropas britânicas. A seguir, tiveram início as obras de Torres Vedras e as de Monte Agraço. Outras, como a de Castanheira, só foram iniciadas em Janeiro de 1810. À medida que se iam construindo, as obras eram numeradas, o que nos permite conhecer a sequência da sua construção. Milhares de trabalhadores portugueses, de milícias e ordenanças, esforçaram-se para completarem estas obras. Este trabalho foi pago: os camponeses chegaram a receber, na altura de maior trabalho, 10 vinténs por dia e as milícias recebiam um terço deste valor
Este sistema defensivo tem sido descrito como um dos mais baratos investimentos e um dos segredos mais bem guardados na História Militar
 As construções eram conhecidas não apenas pelos militares que se encontravam por perto como por todos os que colaboraram na sua construção. O que quase ninguém tinha era a noção da dimensão do conjunto. O tenente Rice Jones, um dos engenheiros de Fletcher, numa carta dirigida ao pai, fala das obras a Norte de Lisboa mas a leitura da carta demonstra que ele não tinha ideia da extensão que as linhas viriam a ter

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