terça-feira, 28 de julho de 2020

A retirada de Soult no fim da 2ª invasão francesa

Batalha do Douro não foi particularmente violenta pois Soult ordenou rapidamente a retirada. As tropas francesas dirigiram-se em direcção a Amarante onde Soult esperava atravessar o Tâmega 
No dia 12 de Maio de tarde, Soult estava convencido que iria encontrar o destacamento comandado por Loison, de quem não recebia notícias desde o dia 7.
 Ao anoitecer acamparam em Baltar, a meio caminho entre o Porto e Amarante. Aí teve conhecimento que Loison tinha abandonado Amarante e se  dirigia para Guimarães. 
Amarante encontrava-se agora em poder das forças portuguesas. O plano de Soult, que consistia em retirar para Espanha em direcção a Salamanca, teve que ser alterado. Com forças inimigas a Este e a Oeste e com o rio Douro a Sul, tinha de escolher entre seguir para Norte atravessando a Serra de Santa Catarina, por caminhos difíceis que ainda teria de descobrir, ou enfrentar as forças portuguesas em Amarante. 
Neste último caso arriscava-se a ser atacado à retaguarda pelas forças de Wellesley que certamente o perseguiriam a partir do Porto. Optou pois pela primeira hipótese.
A travessia da Serra de Santa Catarina, sem estradas, apenas dispondo de caminhos perigosos, obrigou a abandonar tudo o que não podia ser transportado às costas dos homens ou no dorso dos animais. Foram dadas ordens para cada homem transportar na sua mochila apenas comida e munições. 
 A marcha foi iniciada com uma chuva intensa que durou três dias e tornou a jornada ainda mais difícil mas que os protegeu da observação do inimigo.
As forças de Soult saíram de Baltar no dia 13 de Maio ao início do dia e no dia seguinte conseguiram entrar em contacto com Loison que se encontrava em Guimarães. 
Era intenção de Soult seguir para Braga mas foi informado que as forças de Wellesley já ali tinham chegado. Resolveu então seguir por Chaves mas esta praça tinha sido ocupada pela unidades de Beresford. 
As principais estradas estavam portanto cortadas para a sua retirada e, desta forma, tinha de continuar a marcha pelos itinerários mais difíceis. Atravessou o rio Cávado em Ponte Nova e daí seguiu para Montalegre onde chegou a 17 de Maio. 
No dia seguinte iniciaram a subida da serra do Gerês em direcção a Ourense, em Espanha, onde no dia 19 puderam finalmente descansar e alimentar-se de forma conveniente. As forças britânicas e portuguesas não os perseguiram para além de Montalegre.
Esta retirada foi penosa para as tropas francesas e provocou metade das baixas sofridas desde que o exército de Wellesley atravessou o Vouga e se deram os primeiros contactos entre ambos os exércitos - combates no Vouga, Grijó, e Porto e retirada até Espanha. As tropas francesas sofreram cerca de 4.000 baixas nas quais se incluem muitos doentes. O exército de Wellesley, no mesmo período terá sofrido não mais de 500 baixas 
Wellesley regressou ao centro do país com as suas forças porque existia ainda a ameça do exército de Victor na Estremadura espanhola. Mas os acontecimentos - entre eles o combate de Alcântara em que participaram as tropas da Leal Legião Lusitana - levaram a que Victor evacuasse a Estremadura. 
Wellesley entra então em Espanha onde, juntamente com o exército do general Cuesta, dá início à chamada campanha de Talavera.

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